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Borat

Por Tai Nalon • 2 Mar, 2008 • Categoria: Cinema

tai.nalon@re-vista.info

Borat é antes de tudo um filme sério. Sim, sério. Embora seja rotulado como comédia e vendido como tal, definitivamente não é aconselhável para quem tem somente senso de humor. As aventuras do segundo melhor repórter do Cazaquistão no país do McDonald’s são divertidas, lógico, mas abusam desse predicado todas as vezes em que têm oportunidade. O resultado é um filme excessivo – para o bem ou para o mal.

A estrela máxima do elenco é Sacha Baron Cohen, ator britânico que já tinha sua fama na Europa com o mesmo Borat Sagdiyev do filme. Seu personagem criou asas e atravessou o Atlântico, aterrissando em Nova York para fazer um documentário a pedido do governo do Cazaquistão sobre os incríveis e imbatíveis Estados Unidos. Logicamente, como toda boa trama cinematográfica, nem tudo sai como o esperado e Borat é obrigado a rumar para Califórnia, em busca de sua Pamela. A viagem segue pelo interior daquele país absolutamente recheada de cenas nada apetitosas e episódios desagradáveis, com um ridículo bem ao estilo do Monty Python e uma crítica ácida e irritante a la Michael Moore.

De tão insistentemente desagradável, o filme nos faz perder o riso e pensar constantemente sobre o que na realidade é absolutamente degradante – uma cena bizarra de perseguição em um hotel, ou a visão mitificada da nossa sociedade. A verdade é que Borat se vê diante de uma imensidão de situações inoportunas no país das oportunidades, agregando despretensiosamente ao filme a visão que muitos estrangeiros têm dos Estados Unidos. Com ele, estranhamos costumes que sempre nos foram mostrados como normais e nos familiarizamos com os preconceitos nossos de cada dia.

Cowboys, universitários, evangélicos, republicanos, homossexuais, ricos, pobres, judeus [que reúnem as melhores seqüências] e prostitutas – ninguém passa incólume durante os 84 minutos de exibição. E, nesse rebuliço todo, não se sabe ao certo qual é a estrela maior do filme: Borat, Sacha Cohen ou os próprios americanos, que, na maioria das vezes, não sabiam do que se tratava aquela filmagem peculiar.

Borat e Cohen se confundem de maneira ímpar e encerram múltiplas piadas neles mesmos. A aparência tipicamente árabe do ator pode ser mais um motivo de riso, por ele ter sido criado na verdade como um judeu ortodoxo. A irreverência ingênua de Borat é hilária, principalmente por se saber que ingenuidade e irreverência, no país da liberdade, pode dar cadeia. São tantas as analogias políticas que me fazem crer que Borat é, sem dúvida, um filme sério. Daqueles filmes sérios que nos fazem rir da nossa própria miséria.

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