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Entrevista: Mayra Dias Gomes

Por Tai Nalon • 2 Mar, 2008 • Categoria: Literatura

tai.nalon@re-vista.info

Christiane Felscherinow inovou e Lolita Pille embarcou na idéia. Agora é Mayra Dias Gomes, filha do dramaturgo Alfredo Dias Gomes, que abre seu diário para o público. Em “Fugalaça”, seu primeiro romance, Mayra conta a história de Satine, uma adolescente em rota de colisão com a vida e da juventude sem chão que viveu desde a morte de seu pai.

Re-vista!: “Fugalaça” acaba de chegar às livrarias e já provocou comparações com “Hell”, de Lolita Pille, e mesmo o clássico adolescente “Christiane F.”. Como você enxerga essas comparações?

Acredito que todas as escritoras adolescentes que surgirem contando uma história honesta sobre a juventude desregrada e o mundo em que viveram, sofrerão essas comparações – elas são inevitáveis. Os enredos podem ser semelhantes, mas cada uma das histórias tem um desenvolvimento e uma mensagem diferente.

Re-vista!: O livro foi apresentado ao público como um relato auto-biográfico com algumas doses de ficção. O quanto da vida da autora está nesse romance?

Existem doses fortes de realidade e doses fortes de ficção. A história é um mesclado daquilo que vivi com aquilo que presenciei. Seja através de pessoas que passaram pela minha vida ou através da minha imaginação. Satine é meu alter-ego, o outro eu - aquele que posso controlar. Posso minimizar, maximizar, dramatizar, romantizar ou modificar. Há uma grande semelhança com o mundo em que vivi, pois escrevo sobre o que sei e o que sei faz parte de quem sou. O livro é escrito através da realidade de uma menina de 16 anos. Nessa idade tudo é mais intenso, pois é a primeira vez que passamos por um monte de situações. Quando escrevi “Fugalaça” tinha somente 17 e agora com 19, vejo a vida de uma maneira muito diferente. Não me identifico com a história tanto quanto me identificava há alguns anos atrás. O livro foi uma maneira de exorcizar certos sentimentos que ainda me corroíam naquela idade. Quando terminei de escrever, senti que fui presenteada com a chance de recomeçar. Enfrentei meus monstros e consegui afastá-los. Amadureci através da construção dessa história.

Re-vista!: Embora o livro tenha certo tom confessional, com detalhes que se conta apenas para o diário, você o escreveu para algum público em específico?

O propósito deste livro é simples; confortar e dar esperanças aos jovens que passaram ou estão passando por situações semelhantes às do livro. Acredito no recomeço, na reinvenção, na evolução. Acredito que a vida deve ser lida como um livro: devemos aplicar todas as lições que aprendemos com os altos e baixos da vida em um novo capítulo. Não acredito em arrependimentos, acredito no recomeço, e é isso que quero passar aos meus leitores.

Re-vista!: O rock’n'roll faz parte da sua vida e você traz consigo um visual bastante marcante, com tatuagens, piercings, maquiagem pesada. O livro também carrega essa estética. Qual seria então a trilha sonora do livro?

O rock’n’roll e a escrita foram e continuam sendo minhas principais válvulas de escape. Cada capítulo que escrevi teve uma trilha sonora diferente. Costumo ouvir música para escrever, pois a música me inspira. Marilyn Manson, Nirvana, Rolling Stones, David Bowie, Backyard Babies e K’s Choice foram as principais bandas que tocaram no meu head-fone enquanto escrevia este livro.

Re-vista!: É inevitável a expectativa das pessoas com relação à sua escrita por ser filha de Dias Gomes. Como você lida com essa pressão?

Sinto principalmente orgulho de ser filha do meu pai. Sinto uma felicidade inexplicável e uma admiração maior ainda. A pressão é enorme, sem dúvidas, mas tento não me importar com as comparações. Meu pai tem um enorme acervo e eu estou somente começando. Tenho 19 anos e “Fugalaça” é meu primeiro romance. Não podem esperar que eu comece escrevendo clássicos. Como já disse acima, é tudo uma questão de amadurecimento e evolução.

Re-vista!: Você já tem algum outro livro engatilhado? ‘Tá escrevendo um?

Tenho um livro novo à caminho e estou trabalhando em um curta-metragem também.

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