Especial Parintins: Abra a boca e feche os olhos
Por Luana Dias • 2 Mar, 2008 • Categoria: EspeciaisAbra a boca e feche os olhos. Este é o conselho para os milhares de turistas que desembarcam pela primeira vez na cidade de Parintins. Para recuperar as energias e agüentar os três dias de festa, um visitante que se preze deve seguir o exemplo dos nativos e cair de boca numa infinidade de delícias, que ganham um sabor especial no interior da Amazônia.
Uma das frutas mais emblemáticas das regiões Norte e Nordeste do país, o cupuaçu é uma das estrelas do cardápio diferenciado. Em Parintins, pela bagatela de um real, pode-se comprar um copo caprichado de suco de cupuaçu fresquinho, direto da fruta. Pelo mesmo valor, o sorvete de cupuaçu garante uma pausa refrescante depois de uma caminhada sob o implacável sol.
Na hora do almoço, os peixes são a grande pedida, todos vindos das águas doces e barrentas do Rio Amazonas. O farto pirarucu e o bodó são figuras fáceis nos restaurantes e feiras livres espalhados pela cidade. Mas atenção: cuidado com o jaraqui. A sabedoria popular amazonense já faz o alerta “Jaraqui, só come quem é daqui”. Isso porque o peixe, apesar de ser uma opção saborosa e barata, tem espinhas pequenas, e para comê-lo é necessário saber abri-lo com engenhosidade, separando meticulosamente a carne.
No Espaço Café Lanches, localizado no Mercado Central de Parintins, o pão com tucumã – fruta típica da região – está entre as opções mais pedidas. Na época do Festival chegam a ser vendidas até 400 unidades da iguaria, uma das opções preferidas dos clientes para o café-da-manhã.
“Muitas vezes, o estoque de pão chega a acabar antes do início da tarde”, relata Zandra Teixeira, proprietária do local.
Uma outra opção a base de tucumã chama a atenção dos visitantes no cardápio da lanchonete. A “tapioca aquela” – uma espécie de X-Tudo de Parintins, que leva tapioca, ovo, queijo, presunto e tucumã – guarda no seu nome uma história peculiar que tem como protagonista uma figura conhecida da cidade.
“O Raul Góes, ex-presidente do Boi Garantido, veio aqui e pediu uma vitamina ‘adubada’, com guaraná, açaí entre outros ingredientes. Para acompanhar, ele pediu uma tapioca com tudo que tivesse direito. Todos os dias, ele repetia o ritual, pedindo a vitamina e ‘aquela’ tapioca. Outros freqüentadores gostaram da nova modalidade e foram repetindo ‘aquela’ e assim foi batizado o prato”, revela Zandra.
Mesmo com o calor escaldante, muitas pessoas ainda se arriscam a tomar sopas e caldos variados. O tacacá – um caldo de origem indígena – é servido em pequenas cuias e tem em sua composição as folhas de jambu, uma planta considerada afrodisíaca, e que deixa a boca com uma sensação de dormência.
Luana Dias
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