Especial Parintins: André Nascimento
Por Luana Dias • 2 Mar, 2008 • Categoria: EspeciaisHá nove anos, André Nascimento esbanja talento e simpatia na arena de uma das maiores festas folclóricas do Brasil: o Festival de Parintins ( http://www.parintins.com/ ). O personagem é um dos “itens” (similar aos quesitos do Carnaval carioca) mais importantes da representação da lenda amazônica que originou o duelo dos dois “Bois”: o vermelho-e-branco Garantido e o azul-e-branco Caprichoso.
Re-vista: Como começou o seu envolvimento com o Festival de Parintins, mais especificamente com o Boi Garantido?
André : Eu sou morador do reduto do Garantido (a ilha de Parintins é dividida em “territórios” dos dois Bois). Já nasci vermelho!
Re-vista: Como foi o seu inicio como pajé?
Antes de mim, o Garantido trazia rapazes de Manaus para representarem o papel, e não obtinham bons resultados. Foi quando eles me viram dançando no “curral” (local de ensaios para o Boi) e me chamaram. Comecei me apresentando para os turistas e fiquei até hoje!
Re-vista: Como é o processo de preparação para incorporar o pajé no Festival?
Além da preparação física, temos que saber o que vai ser apresentado em cada dia do festival, o que o “Boi” vai contar, e o ritual que será representado.
Re-vista: Você tem alguma superstição?
Antes de entrar na arena, eu colo um dente de alho na minha fantasia. Essas coisas são muito comuns aqui. Os povos da Amazônia são muito supersticiosos! Eu sou católico. Minha família é muito religiosa e eu acompanho desde garoto os mesmos passos.
Re-vista: Nestes nove anos como pajé, teve alguma apresentação que tenha sido mais marcante?
Várias! Em 2004, eu vim com uma fantasia que era de duas faces: de frente eu era o pajé e de costas, virava uma cobra. Na apresentação, comecei a rastejar e o povo começou a gritar. Fiquei muito emocionado. Achei tudo de bom, a reação da galera. Nesse ano, eu fui o único item a receber só nota 10 dos dois Bumbás.
Re-vista: Como é o seu ritmo de ensaio para o Festival?
Este ano, estou passando por uma experiência diferente. Quando morava em Parintins, me preparava bastante. Agora estou estudando Fisioterapia em Manaus, não estou podendo dar atenção exclusiva para o Festival, mas todo fim de semana tenho apresentações e isso para mim é uma forma de preparo.
Re-vista: Como será sua fantasia deste ano?
Serão três fantasias, uma para cada noite. Elas são confeccionadas em segredo, guardado a sete chaves. A coreografia é feita por mim mesmo. Um detalhe: nunca fiz curso de dança! Nós daqui do Amazonas somos muito carentes desse tipo de cursos , mas mesmo assim somos capazes de realizar coreografias lindas. Eu crio os passos, imaginado a toada que vou dançar na arena. Tem uma pessoa que é responsável pela parte cênica e coreográfica do boi, que dá o toque final na apresentação.
Re-vista: Você já chegou a conhecer um pajé de verdade?
Já! Era um pajé de uma tribo próxima do município de Parintins. É completamente diferente de mim. Eles são sempre idosos, atuam como se fosse o médico da aldeia. São os sábios, guias espirituais… Não cheguei a ver ele dançando, mas reparei muito na expressão facial, que é uma das coisas que contam pontos para minha apresentação.
Re-vista: Aí no Amazonas você é muito reconhecido na rua?
Sim, em Parintins tenho uma vida normal, mas aqui em Manaus, às vezes nem consigo andar nos eventos do “Boi”. As pessoas querem tirar fotos, pedem autógrafos…
Confira a atuação de André Nascimento como Pajé do Garantido: http://www.youtube.com/watch?v=o2KxuIjUMSs&mode=related&search
Fotos: Anne Morata
Luana Dias
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