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Keane - Under the iron sea

Por Zaira Brilhante • 2 Mar, 2008 • Categoria: Música

zaira.brilhante@re-vista.info

Letras simples e quase infantis aliadas a uma sonoridade triste

A quantidade de bandas interessantes que visitam o Brasil este início de ano é indiscutível. Um deles é o trio inglês Keane, que faz dois shows em São Paulo e um no Rio de Janeiro para apresentar seu segundo álbum, “Under the iron sea”. Os fãs da banda brincam no orkut sobre adivinhar qual outro grupo poderia abrir as apresentações. O mais provável é nenhum, mas alguns – os mais otimistas – insistem em possibilidades tão remotas quanto à própria vinda do Keane soaria há algum tempo atrás. Entre os mais citados, bandas consagradas como Travis e outros nomes ainda pouco conhecidos aqui como Lifehouse e (pasmem!) até Snow Patrol entrou na lista.

Enquanto as apostam continuam rendendo assunto, canções como a quase U2 “Is it any wonder” ganham espaço em rádios e na MTV. O segundo cd do grupo é muito semelhante ao primeiro, “Hopes and Fears”, com, no entanto, uma vantagem: um público cativo. Sim, porque em seu primeiro trabalho o Keane já havia conseguido abarcar uma leva de fãs fiéis (mais ou menos aquilo que a gente viu nas apresentações do Franz Ferdinand por aqui, uma massa de gente pulando e cantando até quando não haviam letras para serem entoadas).

Não dá pra negar que o Keane integra aquele grupo de bandas com um lema que gira em torno do “corte seus pulsos e seja feliz”. Mas a melancolia das melodias e das letras tristes não diminui a qualidade do trabalho. Muito pelo contrário, são na verdade elas as responsáveis por agregarem tantos fãs.

Apesar de não ser este o momento alto da carreira do Keane, a banda chega ao Brasil numa fase em que o britrock está na moda. Bom pra eles e pra gente. Afinal, somos nós que vamos poder vibrar ao ouvir “Leaving so soon” e “Put it behind you”. Ou chorar com a interpretação que Tom Chaplin dá para letras como “I don’t wanna be adore, don’t wanna be first in line, or make myself heard (…) I wanna be the place you call home”, uma canção de amor, como ele mesmo define “Hamburg song”.

Com letras e títulos de uma simplicidade quase infantil (como “The frog prince” e “Broken toy”), “Under the iron sea” vai sendo construído por essa banda de indiscutível qualidade instrumental – ou alguém discorda que Tim Rice-Oxley faz milagres com aquele piano para suprir a ausência de guitarras? Para completar o trio, a bateria de mil faces de Richard Hughes, que faz você voltar do transe entre uma faixa e outra.

Agora é esperar, falta menos de um mês pro Brasil conferir tudo isso ao vivo.

Under the iron sea, Island, UK, 2006

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