O Código Da Vinci - Dan Brown
Por da Redação • 2 Mar, 2008 • Categoria: Literatura
Muito barulho por nada
Por alguns, já é considerado um clássico da literatura internacional; para outros, não passa de uma fábrica de boatos infundados: o fato, no entanto, é que “O Código Da Vinci” é um sucesso editorial em âmbito mundial. Motivos? Há vários, mas nem todos eles estão relacionados à qualidade literária. Na realidade, a excelência da publicação é o que há de menos relevante, seja pelo fato de utilizar-se de um tema religioso polêmico, seja pela rasa abordagem literária, assemelhando-se de fato com um esboço para roteiro de cinema. Dan Brown, por sua vez, consolida-se no mercado editorial com uma obra baseada em diversas e de fato historicamente irrelevantes teorias conspiratórias.
Exageradamente condenado pela Igreja Católica – o que é um dos principais motivos para tamanho estardalhaço –, o livro de Dan Brown desperta interesse pelos diversos relatos corroborados, a princípio, por instituições de pesquisa respeitadas mundialmente em relação à existência e ao real significado do Santo Graal, e o suposto casamento de Jesus Cristo e Maria Madalena. Segundo Brown, ambos teriam deixado descendentes, gerando uma linhagem real perseguida por aqueles que desejavam suprimir o culto às divindades femininas, de forma a consolidar definitivamente uma estrutura social de cunho patriarcal.
A história assume os cenários de Paris e Londres atuais, cidades pelas quais o historiador Robert Langdon, com a ajuda de Sophie Neveu – investigadora especializada em decifrar enigmas – procuram desvendar uma série de códigos relacionados a um importante segredo da religião católica, guardado durante séculos pela sociedade secreta Priorado de Sião (da qual, supostamente, o artista Leonardo Da Vinci, entre outras grandes personalidades históricas, fazia parte). Através de suas obras, pintores, escultores, romancistas e músicos demonstram, subliminarmente, a verdade por trás dos bastidores do poder da Igreja Católica, insinuando que a mesma ocultou, propositalmente, a verdadeira importância do sagrado feminino dentro da religião.
A princípio, o tema sobre o qual Dan Brown fala é de fato interessante. No entanto, não existe razão para que se crie tantas controvérsias a respeito do que o livro tenta demonstrar. Tendo ou não sérias pretensões de causar um efeito no mínimo questionador a respeito da história cristã, “O Código Da Vinci” não passa de um mero romance policial cuja leitura não demanda grande esforço; e cuja qualidade e autenticidade, no entanto, nada têm de proporcional à boataria gerada pelo mesmo.
Resenha originalmente publicada em 2005 na Re-vista!.
Tai Nalon
da Redação
Mande e-mail para este autor | Todos os posts de da Redação

