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O Condenado - Bernard Cornwell

Por Tai Nalon • 2 Mar, 2008 • Categoria: Literatura

Tanto a atividade como escritor quanto o tino para historiador caem bem no britânico Bernard Cornwell. Talvez por ele ser um dos únicos que consiga combinar tão harmonicamente suas duas profissões e compilá-las em peças de literatura de reconhecido sucesso. Em “O Condenado” a fórmula não se perde e Cornwell se revela surpreendentemente versátil.

Seguindo a linha sempre tênue entre ficção e história, mas fugindo de suas tradicionais narrativas de guerra, Bernard Cornwell nos introduz agora ao veterano da Batalha de Waterloo Rider Sandman. Sandman é testemunha de uma país dividido entre as poucas virtudes de um passado não muito distante e as grandes esperanças que seguiram a Revolução Francesa, cuja derrota não foi suficiente para calar os gritos de liberdade. A Inglaterra vitoriosa pouco ostenta de sua glória; a justiça se encerra na forca e a modernidade encontra-se apenas no barulho das novas máquinas a carvão. Sandman, portanto, recebe a incumbência de provar a inocência de um artista com o pé no cadafalso e, assim, penetra na alta sociedade britânica descobrindo que existem muito mais culpados do que inocentes circulando livremente pelas ruas.

Para realizar tão inglória tarefa, Rider Sandman conta com a ajuda de seus amigos. Lorde Alexander, aristocrata, pastor e intelectual amante dos ideais revolucionários, é a personificação desse constante paradoxo entre a modernidade e os valores feudais. Berrigan, companheiro de guerra do protagonista, e Sally Hood, uma modelo vivo de baixa reputação, vêem em um Sandman falido uma das poucas oportunidades de mudar de rotina e fugir dos perigos que a vida comum os traz. E assim o livro se faz com momentos de claro suspense, mas sem desperdiçar qualquer página com passagens inconclusivas.

“O Condenado”, embora seja um dos mais despretensiosos livros de Cornwell, aparece como uma de suas narrativas mais diferenciadas. Na ausência de um personagem de vertente irônica, como o médico judeu Mordecai na Trilogia do Graal ou o Merlin nas Crônicas de Artur, o autor torna-se a extensão do protagonista, relatando a sujeira e a beleza de acordo com a estética da época. O resultado é uma narração crítica e detalhista de um tempo em que se falava no fim de valores muito antigos, mas que pouco se fazia para mudá-los efetivamente.

Gallow’s Thief, 2001, Editora Record

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