A vida é assim: Magreza é beleza?
Por Luiza Real • 13 Jun, 2008 • Categoria: Coluna Esquerda, Colunistas
Sim, eu sou magra. Não tem como eu falar qualquer coisa ao contrário disso. Porém, pelo menos, tento manter um aspecto saudável. É por isso que eu tenho cuidado com minha alimentação (vou ao endocrinologista e ao nutricionista anualmente), malho pelo menos três vezes por semana e jogo meu futebolzinho aos sábados. E não deixo de comer um docinho aqui e tomar um choppinho acolá. Na verdade, até tento engordar uns dois quilinhos para tentar ficar com um rostinho mais rechonchudo, mas está difícil.
“E daí que você é magra e tem a sorte de não engordar?”, vocês devem estar pensando. Simples, eu estou cansada deste culto à magreza extrema. Da magreza com cara de doença. E do discurso dos “produtores profissionais de moda” de que não têm nada a ver com isso.
Bem, se eu for seguir a linha teórica que mais tem me interessado no momento, realmente a moda é só um reflexo do que a sociedade aceita como interessante para a sua manutenção. Afinal, o público já deixou de ser considerado massa acéfala há muito tempo. É a exteriorização dos elos éticos/estéticos que unem os grupos sociais, é a profundeza das aparências, como diria Maffesoli. Ok, ok… É tudo uma questão de mediação: a moda traduz as tendências que identifica na rua e traduzimos o que vemos na moda para o nosso dia-a-dia.
Isso eu já entendi. Agora, o que eu não entendo é porque as modelos têm de ser tão magras. Os papinhos de que “o que tem que se destacar é a roupa e não a modelo” e “que a modelo é só um cabide” não colam comigo. Se fosse assim, modelo nenhuma no mundo se tornaria celebridade e ganharia milhões no auge da carreira. Ninguém gostaria de ser Gisele, por exemplo.
Claro que a magreza é sim reflexo da escolha da sociedade por um novo corpo. Um corpo também influenciado por outros discursos, como o científico que, geralmente, acredita que o magro é mais saudável do que o gordinho (eu mesmo reforcei isso no início deste texto, não é). E as mulheres ocidentais, historicamente falando, sofreram com uma certa dominação — como diria Bourdieu — para serem mais frágeis do que os homens. Magreza, fraqueza, debilidade… Hum, só eu consigo encontrar um elo aí?
Tudo bem, a moda não é a única culpada pelo culto da magreza. Ela mesma propõe isso em seu discurso reativo. Nos anos 2000, a corrente “heroína chic” foi atrocidada e campanhas contra meninas magras demais foram feitas por semanas de modas. Algumas modelos morreram devido a complicações de distúrbios alimentares, e estilistas e produtores disseram que aquilo era inadmissível. Alguns até falaram em propor novas modelagens. Vocês escutam algo sobre isso hoje em dia? Nem eu.
No último Fashion Rio, só vi modelos magérrimas. Ouvi reclamações de algumas de como têm de se preparar antes da semana de desfiles restringindo a alimentação (nada que eu considere saudável). Os destaques desta edição foram Fernanda Lima e Luiza Valderato, pois ambas conseguiram emagrecer absurdamente poucos meses após darem a luz.
Contudo, na minha singela opinião, a pior demonstração de culto à magreza dada por um “produtor oficial de moda” é o comercial do novo perfume da Gucci, estrelado por Raquel Zimmermann, Natasha Poly e F. Erichsen. As meninas aparecem dançando sozinhas em cômodos de uma mansão, douradas, glamourosas, meio sob efeitos de alucionógenos e… Bizarramente magras. Esqueleticamente magras. Não-saudavelmente magras!
Sabe aquele ditado que diz que alguém de tão magro, quando de lado, desaparece? Encaixa-se perfeitamente neste exemplo. Há cenas das meninas dançando lateralmente em que não consigo descobrir uma característica femininas (como cintura ou seios), só ossos. Certamente, eu posso ter exagerado um pouco, mas você pode tirar sua própria conclusão neste vídeo:
Bem, parece-me que, apesar do meu atual choque e cansaço cultural, a magreza continuará firme e forte por aí. Fazer o quê, né? A vida é assim…
Luiza Real
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Acho q o mercado é enorme e tem espaço pra todas. Se aparece um comercial da Skoll todo mundo reclama pq as mulheres são muito volumosas e fazem de tudo pra ter seios, bundas e bocas enormes. Se aparece um comercial da Dove com mulheres gordinhas, as pessoas reclamam pq não e legal valorizar a falta de saúde q vem junto das gordurinhas… publicidade, moda, comercio, produtos…. no final das contas, mulheres são utilizadas para gerar dinheiro
para as empresas q bancam anuncios q moldam a forma das pessoas de pensar. O bom desse pais e q existe espaço para todos pensarem e sentirem o q é certo ou errado nesse tema. Viva a diversidade.