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Nação Zumbi e também carioca

Por Marina Gonçalves • 13 Jun, 2008 • Categoria: Música

Não é só uma frase que DuPeixe fala por falar: no Rio, o Nação Zumbi está em casa. Pela reação do público, que não esfriou em nenhum momento do show feito na última na sexta-feira no Circo Voador, pela lotação da casa – a fila, virando o quarteirão era emblemática com tantas boas opções na Lapa –, pelo barulho que Otto e B Negão provocaram no bis. Eles estavam em casa, mesmo fora de Pernambuco.

A ênfase no último CD, Fome de Tudo, mais melódico e mais redondo – mais pop, por que não dizer? – não desagradou em nada aos fãs mais saudosistas. O show, afinal, teve sim “Bossa Nostra”, “Toda surdez será castigada” e “Assustado”. Mas teve, como sempre, referências ao grandessíssimo grande Chico Science; como quase sempre, uma participação apoteótica de Otto na saideira “Manguetown”. E teve ainda, quem diria, músicas que o público carioca há tempos não via por aqui, como “Oh Risoflora” e “Etnia”.

E para quem ainda tinha alguma dúvida, a eterna comparação, antes e depois de Chico Science, está superada no palco. Du Peixe mostra ousadia e segurança, sem esquecer o passado. Não há porque negar o passado, ele sabe. “A praiera”, “Cidade” e “Da lama ao caos”, estão presentes sim, em um medley, mas com marca própria. E “Quando a maré encher” e “Macô” fazem tanto barulho na platéia quanto “Blunt of Judah” (do álbum Nação Zumbi, de 2002, já sem Science).

Com tantas referências, com tantos bons momentos, parece difícil classificar uma música como a mais empolgante da noite. Mais difícil ainda dizer um momento do show em a platéia parou para respirar. Talvez só minutos depois da saideira apoteótica de “Manguetown”. Mas naqueles mais de cem minutos, todos levaram suas almas para passear.

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