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Siba e a Fuloresta - Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar

Por Luiza Real • 10 Jun, 2008 • Categoria: Coluna Meio, Música

A busca por um novo entendimento da música tradicional nordestina

“Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar” é o nome do segundo álbum de Siba e a Fuloresta, que conquistou as categorias “disco regional” e “projeto gráfico” do Prêmio Tim de Música 2008 (a capa do CD foi desenvolvida pela dupla de grafiteiros “Os Gêmeos”).

Conhecido por sua passagem como vocalista e tocador de rabeca da banda Mestre Ambrósio — um dos frutos do movimento manguebeat, junto com Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. — Siba deixou de lado a vida musical e heterogênea das grandes metrópoles e agora dedica-se à busca por outras sonoridades de sua terra.

Para isso, o músico mudou-se para Nazaré da Mata, na zona da mata de Pernambuco. Lá, entrou em contato com “guardiões” de músicas pernambucanas como o samba rural (sim, este é diferente do partido-alto carioca), o maracatu, o cavalo-marinho e a ciranda. Começou, então, a conviver com cantores e percussionistas como Biu Roque (também mestre de cavalo-marinho), Mané Roque e Manoel Martins. Surgia assim, a Fuloresta.

Se o primeiro trabalho do projeto valorizava o samba, “Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar” é uma homenagem à ciranda. Uma homenagem inteligente, poética e, principalmente, como uma nova visão do que é folclore. O disco traz arranjos de pianos (de BetoVillares), guitarras (Lucio Maia, do Nação, faz participação na faixa “Alados” e Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, em “Meu time”) e incursões eletrônicas. Mesmo assim, não soa como a proposta do manguebeat.

As letras retratam o cotidiano do interior do Pernambuco. A pobreza que leva ao abandono infantil (“12 linhas”), as derrotas de uma equipe de futebol (“Meu time”) e o orgulho da manutenção da cultura popular (“Cantar ciranda”, que conta com a bela contribuição de Céu) são alguns exemplos. Estas características fazem com que o álbum não soe repetitivo. Até porque Siba e a Fuloresta não fazem somente ciranda: o ritmo mistura-se ao frevo (como em “Bloco da bicharada”) e ao coco. Ou seja, a sonoridade nordestina contagiante se faz bastante presente.

O grande acerto de Siba é não fazer uma coletânea, mas sim uma vivência sobre a ciranda. As músicas não são tratadas como objetos folclóricos imutáveis, visão muito comum em trabalhos com sonoridades consideradas mais tradicionais. Afinal, apesar de ser fruto da tradição de um grupo cultural, as manifestações folclóricas não estão isoladas no tempo: seus manifestantes têm contato com outras informações e estas são inseridas naturalmente dentro de seu contexto cultural, sem que isso possa ser considerada uma agressão à tradição. É, na verdade uma forma de resistência e continuidade do folclore. Como Siba e a Fuloresta mesmo dizem: “cantar ciranda é como fotografia: faz morada na memória desde o dia primeiro”.

Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar (Siba e a fuloresta). Brasil, 2007, Ambulante discos.

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Uma Resposta »

  1. Olá , sou de Curitiba e gostaria de saber se vocês podem me ajudar, adoro o trabalho do Siba e acompanho a trajetória do trabalho dele desde o Mestre Ambrósio. Gostaria de saber como eu posso adquirir o cd a fuloresta do samba de 2002, procurei em várias lojas e me disseram que está esgotado, que a distribuição do cd não foi mais feita.
    Obriga pela atenção

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