A vida é assim: A rotina da beleza na hora dos comerciais
Por Luiza Real • 22 Jul, 2008 • Categoria: Coluna Esquerda, Colunistas
Queridos leitores, eu tenho uma confissão a fazer: eu gosto de comerciais. E gosto bastante. Apesar de saber de que ela é considerada uma grande vilã por muitos - já que induz ao consumismo através da criação de status e estilos de vida não essenciais - eu gosto de assistir às publicidades como se fossem pequenos filmes. Pois é, hoje em dia, o cinema é visto como arte, mas não é ele também um dos primeiros meios (tecnológicos) massivos?
Bem, sem querer entrar em uma outra discussão – nem um pouco recente, inclusive – eu vou voltar a minha confissão. Nas últimas semanas, dois comerciais de fabricantes de cosméticos me chamaram muito a atenção: o do O Boticário e da Natura. Eu gostaria de dizer que os dois em agradaram, mas, infelizmente, isso não aconteceu.
Afinal, não tem como não levar um susto diante de uma mensagem publicitária com um discurso oco sobre a beleza e a estética. Um anúncio que retrata uma sociedade dita “igualitária” vivida por mulheres com roupas iguais, corte de cabelos iguais e atividades iguais. Às vezes, penso que os publicitários se inspiraram no universo de 1984. Se foi esta a intenção, coitados, passaram longe.
Primeiro, sinto-me particularmente ofendida com este comercial. Quer dizer que mulheres com cabelo chanel com franja e que não usam salto alto não estão preocupadas com a sua aparência? Quer dizer que eu sou feia? Eu sei que a proposta é fazer um discurso contra a padronização (e por que não massificação?) da sociedade contemporânea. Porém, as imagens e roteiro do comercial é tão vazio. Parece que a independência, a “desconfiguração” só pode ser feita através de bobos mecanismos que modificam a aparência. Claro que a aparência é importante, é uma linha de interação entre diferentes grupos que se identificam através do visual. A estética cria uma ética, ética de cada grupo, como diria Maffesoli. Porém, estas identificações são feitas de diversas maneiras, por diferentes atitudes e não só porque alguém mudou a cor do batom, passou um blush ou pintou o cabelo. Isso também faz parte, mas aparência é reflexo de outras escolhas e posturas diante da vida.
Agora, o comercial da linha Tododia da Natura é um prazer. “Poesia pura”, como disse uma grande amiga. Uma idéia simples de mostrar como tudo na vida é feita de rotinas, inclusive a nossa diferenciação no mundo. Somos rotinas. Nossa aparência é uma rotina de escolhas e cuidados. E vale lembrar que a última campanha da empresa, para o lançamento da linha Amor América, também primou pela delicadeza e perspicácia.
É muito difícil imaginarmos um mundo sem rotina proposta pela Natura, mas fácil fácil imaginar um mundo sem a superstimada vaidade de O Boticário. Mais uma vez, afirmo que esta é soa a minha singela opinião de telesectadora e cada um pode ter a sua reflexão sobre os comerciais. O mundo é de rotinas, de aparência e de opiniões. Fazer o quê, né? A vida é assim…
Assista aos comerciais:
O Boticário
Natura
Luiza Real
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