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Bajofondo - Mar Dulce

Por Luiza Real • 3 Jul, 2008 • Categoria: Coluna Meio, Música

Em “Mar Dulce”, Bafojondo desperta o “espírito tangueiro” de cada um de nós

“Luiza, você já ouviu a música da abertura da novela?”, essa pergunta tornou-se freqüente desde a estréia de “A favorita” (a nova novela das 21h da Globo). E, geralmente, após a minha reposta positiva, vem mais um questionamento: “É do Gotan Project?”. Não, apesar de ser um tango modernoso, “Pa’bailar” faz parte do álbum “Mar Dulce” do grupo Bajofondo.

Embora apresentem propostas similares — a mistura do tango com sons contemporâneos, com direito a muitas programações — as sonoridades de Gotan e Bajofondo se diferenciam pela naturalidade de seus integrantes: enquanto Gotan é formado por argentinos e franceses (o que dá um quê das antigas chansons às suas músicas), o Bafojondo é formado por uruguaios e argentinos (encabeçados por Gustavo Santaolla, argentino ganhador de dois Oscar pelas trilhas sonoras de “Babel” e “Brokeback Mountain”), numa espécie de aliança do Rio da Prata pela disseminação do tango.

Isso faz com que as músicas do Bajofondo estejam mais carregadas de acento latino e, não raramente, o grupo gosta de trabalhar com parcerias latino-americanas de diversos estilos musicais. Essa tendência se repete em “Mar Dulce” — seu terceiro álbum (o primeiro gravado totalmente ao vivo, em estúdio, e em que o grupo assina sem a expressão “Tango Club” em seu nome) — lançado no segundo semestre do ano passado.

Apresentando um equilíbrio maior entre os arranjos eletrônicos e os clássicos de tango (recheados de belíssimos pianos, violinos e acordeons), as canções de “Mar Dulce” chegam ao ótimo meio-termo entre esses dois mundos: não é um tango metido a novo, nem um techno tentando ser tango. É uma outra coisa, um som próprio.

Com isso, as outras propostas de misturas não soam estranhas. Há espaço para a o rap do argentino Santullo em “Ya no duele” e da espanhola Mala Rodriguez em “El andén”, para o lamento rasgado e choroso — e quase bolero — de Juan Subirá (da banda argentina Bersuit Vergarabat) que canta “Hoy” e para os suspiros românticos de Gustavo Cerati em “El mareo”.

Contudo, não só de castelhano vive “Mar Dulce”. Em sua constante busca pelo o espírito tangueiro que existe em cada parte do mundo, o grupo também conta com outras participações. Elvis Costello empresta seu vozeirão rouco à interpretação magnífica de “Faily night” (que de longe é a canção mais densa do disco e a que mais lembra a época de ouro do tango). Já “Slippery sidewalks” — a faixa mais moderninha do álbum, composta em parceira com o roqueiro uruguaio Juan Casanova — conta com os vocais super sensuais de Nelly Furtado. E o destaque do disco, “Pa’bailar” (sim, a música-trilha da novela) traz a participação do renomado violinista japonês Ryota Komatsu.

“Mar Dulce” é um trabalho impecável da primeira à ultima canção: é o passeio do tango pelo mundo. É um ótimo instrumento despertador para o “espírito tangueiro” ainda adormecido em muito de nós.

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Uma Resposta »

  1. Santullo es uruguayo, no argentino. http://www.myspace.com/santullomusic
    Saludos!

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