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Lado B: Inversão de valores…

Por Zaira Brilhante • 3 Jul, 2008 • Categoria: Coluna Esquerda, Colunistas

Mais uma daqui de Londres. Na verdade, essa chega a ser mais brasileira que a coluna anterior. Lembro-me do tempo em que ainda estava aí no Brasil, trabalhando alegre, feliz e contente como jornalista – que, afinal, é o que eu sou – quando escrevi um artigo no qual comparava, por exemplo, o número de vendas de Los Hermanos e (pasmem!) Calypso. Pois é, a brincadeira da matéria na época era comentar se o grupo de Chambinho e Joelma (ah, vai, não tem quem não saiba quem são os dois… Por mais que se tente evitar, eles foram – ainda são? – um “fenômeno, fenômeno, isso é Calypso”) seria uma versão tupiniquim de Arctic Monkeys – o modelo do independente que deu certo.

Não quero entrar em detalhes do outro texto porque não vai acrescentar muito mais ao que eu quero dizer. O importante é que vocês já têm uma idéia de onde quero chegar. Ainda não? Eu explico. Há pouco mais de três semanas fui convidada por uma amiga – que fique registrado, ela ganhou os ingressos numa promoção! – para assistir à Daniela Mercury num clube/bar brasileiro no centro de Londres. O lugar se chamava Guanabara.

Bem, não tinha mais nada para fazer… E rezava a lenda que poderia encontrar uma cerva brasileira… Resultado, lá fui eu. O lugar era simpático. Mas bem diferente do que costumo freqüentar, seja na Inglaterra, seja no Rio. De fato, tinha a cerva – quente! Pra variar… O preço, nem quero comentar… Mas não é desse valor que me refiro no título, apesar de a questão também tocar no bolso. Imaginem vocês o meu susto quando descubro quanto as pessoas estavam pagando para assistir a Dani, Dani, Dani, Daniela. A módica quantia de 40 libras esterlinas! Já fizeram as contas?

Numa conversão porca de 1 libra = 4 reais, temos, senhoras e senhores, brasileiros que pagaram R$ 160 para assistir a um show de menos de duas horas, num lugar pouco maior do que o círculo central do Circo Voador (desconta a parte descoberta, se não dá três do tal Guanabara), com atrasado de mais de três horas – a moda brasileira, claro. Deixa a pontualidade britânica pro inglês ver, “aqui só tem brasileiro e português”, a morena baiana insistia em repetir. Bem… Não foi ruim. Mas vamos combinar que por essa descrição também tava longe de ser bom.. E olha que eu não paguei nada além da cerva.

Agora vamos lá. Esse sábado vou assistir à Maria Rita por aqui. Dessa vez pagando, com muito orgulho. Querem saber quanto? Acho que ninguém advinha. Mas, enfim, eu conto: 15 libras, meus caros. Pra assistir de camarote, no teatro de um dos centros culturais mais badalados daqui, o Barbican. Uma gracinha só. Agora aposto com vocês – e ainda pago em libras – que se tiver atraso, não passa de meia hora, só pra dar um charme. E o público, bem, vou tentar contar os brasileiros que encontrar por lá. Se bobear, vai dar pra marcar só nos dedos das mãos…
Nota ao leitor: Prometo, na próxima coluna, dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade quanto as minhas previsões, elas se concretizando ou não. Aguardem…

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