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Pé na estrada: Parintins é meu país

Por Luana Dias • 16 Jul, 2008 • Categoria: Coluna Esquerda, Colunistas

O título – uma reprodução de um dos versos da música “Emoção pra valer”, composta por Rafael Lacerda e Flávio Farias e apresentada pelo Boi-Bumbá Garantido no Festival de 2007 – consegue sintetizar o sentimento de orgulho e nacionalismo despertados por uma das festas folclóricas mais importantes do Brasil. Estar em Parintins é para mim, sem exageros, uma das experiências mais fortes que uma pessoa, principalmente um brasileiro, pode ter na vida. Meu primeiro contato com esta verdadeira ópera a céu aberto aconteceu há 12 anos, quando zapeando em frente à TV numa noite qualquer, eu e meu pai nos deparamos com o Festival sendo transmitido ao vivo pela Amazon Sat. Naquele dia, disse a mim mesma de que um dia veria este espetáculo de perto. O sonho se concretizou no ano passado, quando estive pela primeira vez na bela cidade situada na margem direita do “rio-mar” Amazonas, no arquipélago de Tupinambarana.

Um dos obstáculos para quem mora fora da Região Norte conseguir ir à Parintins sem desembolsar muito dinheiro é o gasto com transporte e hospedagem. A solução é começar a “caçar” pelo menos três meses antes, promoções e tarifas mais em conta nas companhias aéreas que levam até Manaus. A partir daí, o visitante tem duas opções para chegar à Parintins: a mais barata (e talvez a mais emocionante) é pegar uma das centenas de embarcações que fazem o trajeto até a Ilha durante todo o período do Festival. Para atravessar os 420 km (via fluvial) que separam as duas cidades, as embarcações demoram de 18 a 24 horas, sendo que o percurso pode ficar ainda mais longo na época do Festival devido a engarrafamentos…de barcos!

A outra opção – mais cara, porém bem mais rápida – é comprar um dos milhares de bilhetes de companhias aéreas, que na época do Festival chegam a disponibilizar vôos de Manaus-Parintins de hora em hora. É importante destacar que o trajeto é feito somente naqueles aviõezinhos de hélice, que á primeira vista metem um pouco de medo, mas que são super seguros.

Já com relação à hospedagem, a melhor opção é juntar um grupo de pessoas e alugar uma casa. Além de ser mais barata, esta saída permite que você conviva com gente de toda parte do Brasil! No meu caso, minha estadia em Parintins só foi possível graças a um grupo chamado Tribo Orkut Parintins. O grupo, coordenado por pessoas que vivem em Manaus, divide todo ano uma casa na Ilha. Também há algumas pousadas e hotéis, mas se você não faz reserva um ano antes, corre o risco de pagar muito mais caro ou até ficar sem uma vaga!

No quesito “alimentação”, não há com o que se preocupar. Em Parintins, há opções para todos os bolsos: desde um suco de cupuaçu direto da fruta, mega sanduíches e cachorros-quentes a preços entre R$1 e R$2 até tambaquis e pirarucus fresquinhos a R$8/ pessoa em média.

A minha “primeira vez” na Ilha ficou marcada por um dos momentos sublimes vividos logo no primeiro dia: almoçando num restaurante à beira do barrento rio Amazonas, tive a sorte de ver golfinhos que ali nadavam. Empolgada, tirei correndo a minha câmera fotográfica da bolsa e registrei aqueles minutos que ficarão para sempre guardados na minha memória. Ali, naquele momento me dei conta da magia e do encantamento deste lugar, no meio da selva amazônica.

De volta à Ilha neste ano, desta vez acompanhada de meu pai (que foi meu companheiro na época em que só podíamos assistir o Festival pela TV, lembram?), pude desfrutar mais uma vez da alegria da Ilha: a música e as danças nas ruas (os bares Comuna’s e Chapão são paradas obrigatórias para qualquer turista!); as passagens de som no Bumbódromo, único momento em que as “galeras” – como são chamadas as torcidas de cada Boi – podem deixar um pouco de lado a diplomacia; o movimento no Mercado Popular; os passeios de triciclo; e, claro, a emoção e a energia indescritíveis vividas nos espetáculos apresentados nos três dias do evento.

Um momento do último dia merece ser registrado aqui. Há poucas horas de retornar para Manaus, eu e meu pai tivemos a oportunidade de conversar com uma índia que estava comercializando seu artesanato na tradicional feirinha que acontece todos os anos na cidade. Pertencente à tribo dos tucunas – que ocupa o alto rio Solimões – ela nos contou as dificuldades que enfrentou para chegar até ali sozinha, do seu desespero ao se dar de conta que estava abandonada no meio do caminho quando a embarcação em que ela vinha foi parada pela fiscalização e do alívio ao saber que conseguiria lugar em outra embarcação. Mostrando seus produtos, ela ia explicando, em meio a um sorriso e outro, o sistema de transmissão familiar dos conhecimentos do artesanato indígena. Em suma, uma aula prática de cultura brasileira.

Ao contar para amigos que iria novamente a Parintins este ano, escutei muitas vezes a frase: “Mas, por quê? Você já não foi no ano passado?” Poderia perder horas formulando uma resposta racional para esta pergunta, falar da minha paixão pela cultura popular, da beleza e da energia das terras amazônicas…mas acho que só mesmo quem já foi à Parintins poderia entender plenamente as razões (e as emoções ) que nos conduzem todos os anos rumo à Ilha no mês de junho. Espero encontrar vocês lá em 2009!

Veja a galeria de fotos da viagem de Luana Dias ao Festival de Parintins >>>

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6 Respostas »

  1. Com certeza, só que já foi pra Paris sabe entender o nosso desejo de voltar sempre!

  2. Luana!!!! Muito bom saber que pessoas como você (seu pai e Claudinha), que também vieram de fora, valoriza muito mais a nossa cultura do que as próprias pessoas da região. Tem gente aqui em Manaus que nao sabe e nem quer saber nada sobre Boi, e em vez disso, fica ouvindo rock, musicas eletronicas, funk, e que muitas vezes nao sabem nem o que estão ouvindo (quando em ingles), mas mesmo assim, ouvem.

    Eu como um Manauara, fiquei muito emocionado ao ler esse artigo, confesso que caíram algumas lágrimas, hehe
    mas lendo tudo o que voce escreveu, n é fácil segurar-las. Quando você diz que pretende vir outras vezes, e que as pessoas te perguntam o por quê, já que voce conhece, mostra o seu amor pela cultura brasileira, principalmente a nossa, e mostra que Parintins, é impossovível vir apenas uma vez, é uma experiência que deve ser repetida para o resto da vida.

    É isso aí, muito obrigado pelos elogios sobre minha terra querida, e serás sempre bem vinda
    Um Beijão!

  3. Lindo o texto e lindas as fotos, Lu!
    Sou uma dessas que acompanha a festa pela TV - ainda que não de forma muito intensa…mas fico definitivamente animada a ir quando vejo seus textos sobre Paritins.
    ;-)
    bjos,
    Marcella

  4. Lu

    Infelizmente este ano não pude estar presente no festival, mas em 2009 estarei acompanhada de muitos amigos. Assim como vc o meu primeiro contato com o festival foi pela televisão e desde então, quando transmitido, não perco um só dia das apresentações.
    Parintins que me aguarde em 2009.
    Bjos

    Marcia Ramos

  5. Luana estou feliz pelo materia muito bom, realmente o festival e maravilhoso, encantador so as pessoas que foram que sabe disso e quem não foi vale muito apena.
    Valeu um grande abraço boa sorte com a revista qualquer coisa vc sabe onde mi encontrar bjus NIL.

  6. Meus queridos!

    Obrigada pelas mensagens tão legais!

    Vocês fazem a coluna ficar ainda mais completa!

    Espero encontrar todos em Parintins em 2009 :)

    beijos!

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