Wall.E
Por Tai Nalon • 10 Jul, 2008 • Categoria: Cinema, Coluna Meio
Imagine um planeta habitado pela corrosão e soterrado pelo lixo. Agora imagine um motivo para querer viver nele. Difícil? Os alucinados da Pixar, em parceria com o império Disney, conseguiram criá-lo. Seu nome é Wall.E, um pequeno robô desenvolvido para limpar a sujeira que os humanos –vivendo em uma grande nave– deixaram na Terra. No entanto, Wall.E é, acima de tudo, uma fábula tecnológica para resgatar aquilo de mais primordial que o cinema pretende contar: uma simples história de amor.
O pequeno compactador de lixo vive na Terra do ano 2810, 700 anos depois de os humanos terem deixado o planeta. Ele é o único restante dos operários da falida tentativa de uma grande corporação que aparentemente governa os terráqueos em promover uma grande limpeza. Wall.E –numa narrativa tão perspicaz em chamar atenção à aridez tecnológica do ser humano quanto à de Inteligência Artificial de Spielberg-Kubrick –é a pegada humana na Terra, o rastro de que ali houve vida. Ele espera, dia após dia, guardando como fósseis referências da cultura ocidental, esgotarem-se todas as peças de reposição da sua existência tardia.
Sua rotina muda quando conhece e se apaixona por Eva, uma sonda cuja “diretiva” é a princípio secreta. É com ela que ele mergulha –apesar da extinção das marés—num universo de referências familiares à nossa colonização tecnológica, seja assistindo a musicais na tela ampliada de um iPod, seja interferindo no mundo neuroticamente limpo dos humanos, seja coadjuvando em referências pop como Bladerunner e 2001. Tudo isso sem que sejam necessários os modernosos –e já cansativos, vai– diálogos a la Chris Rock dos últimos desenhos animados.
Wall.E vem para se tornar mais um marco histórico da Pixar, que, juntamente com o diretor Andrew Stanton, já tinha produzido o elogiadíssimo Procurando Nemo. O trabalho gráfico é de fazer chorar qualquer entusiasta da animação, mesmo aquele já embasbacado pelo sucesso de Ratatouille. Embora os robôs se apresentem (propositalmente ou não) mais realistas que os humanos, cada cenário é uma escola da estética informática. Há quem diga, inclusive, que Eva remete-se ao design padrão Apple, enquanto que Wall.E é um PC vira-lata (há controvérsias, me alertaram alguns), e M.O. uma reminiscência da estética de Lucas e seu Star Wars.
Um filme para a família, Wall.E, embora originalmente formatado para adultos. É daqueles de deixar uma melancolia estranha –talvez pela fisgada inteligente no modelo natimorto das corporações; talvez pela necessidade de conseguirmos nos interessar mais pelo improvável romance entre duas máquinas do que por nós mesmos.
Wall-E, 2008, Estados Unidos, 104 min
Tai Nalon é uma pessoa inquieta.
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adorei sua resenha, tai! acabei de ver e achei fantástico, inclusive, como a pixar conseguiu fazer um desenho em cuja primeira metade mal há diálogos. akela melancolia inocente do começo mata o coração. e, no final, a história se torna mt envolvente, msm q acabe mostrando sua faceta qs infantil.. só non sei se ele poderia ser comparado a um pc ferro velho, pq qd ele inicia, ele vai o barulhinho do mac! hehehe bjs!!