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	<title>Re-vista! &#187; Lou Martins</title>
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	<description>Porque cultura é coisa séria!</description>
	<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 01:56:03 +0000</pubDate>
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		<title>Cult.e: Digital Trash não é lixo digital</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 05:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lou Martins</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Coluna Esquerda]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Coluna nasce com este nome: Cult.e. Pode soar estranho, um ponto no meio e um “e” solto no final, meio que sem propósito. Mas tudo tem uma razão. O foco da coluna é levá-los ao mundo da cibercultura, das manifestações culturais, claras ou não, pretendidas ou não, que acontecem pelas arestas sem fim daquilo que se convencionou chamar de “rede mundial de computadores” ou só internet (net, para os íntimos).</p>
<p style="text-align: justify;">O tema escolhida para a estréia é Digital Trash. Vou introduzir o conceito geral desse novo campo de estudo dentro das ciências sociais voltadas para as novas tecnologias já preparando a base para futuros textos que comporão esta coluna. Vamos logo ao que interessa.</p>
<p style="text-align: justify;">Digital trash ou, no mau português, lixo digital. Mau? É, e permita-me explicá-lo o porquê.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/05/969247_display_271.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-116" style="float: left; margin: 8px;" title="969247_display_271" src="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/05/969247_display_271.jpg" alt="" width="105" height="163" /></a>A tradução livre nos leva a crer que lixo digital trata de toda produção descartável e sem valor que encontramos na rede, por isso o “mal”. Digital trash, na verdade, é um dos fenômenos da cibercultura, originado da produção muitas vezes despreocupada de milhões de usuários que povoam a rede e movimentam os sites. Inseridos ou não num “novo” fenômeno, ajudando ou não a construí-lo e disseminá-lo, muitos já sabem o que é YouTube, blog, flog e muitos outros serviços utilizados por milhões de pessoas que culminaram na intensificação das produções pontuais aparentemente sem finalidade, que não obedecem aos padrões da grande mídia e fogem dos olhares da grande massa.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão estética é ponto fundamental para entender o que estamos considerando aqui como digital trash. As produções midiáticas as quais estávamos, digamos, acostumados seguem um determinado padrão pré-estabelecido, cuidadosamente pensado desde a captação do áudio e imagem, canais de transmissão e edição de conteúdo. Já produtos considerados ‘lixo digital’, no geral, têm acabamento mais despreocupado, uma iluminação não caprichada, sem tratamento de áudio e edição. O que importa, em suma, é entregar ao seu nicho de destino um material relevante para ele, mesmo que esse nicho seja na verdade um pequeno grupo de amigos.</p>
<p style="text-align: justify;">A grande questão é que por ser limitado semanticamente a um grupo bem definido, fora desse contexto as produções culturais consideradas digital trash simplesmente não fazem muito sentido, por isso também o preconceito por grande parte das pessoas que já entraram em contato com informações desse tipo. Não é incomum encontrarmos pessoas falando “não acredito que você perde seu tempo vendo esta porcaria”, quando, na verdade, só é “porcaria” porque aquela pessoa não conhece as referências necessárias para que aquele produto faça de fato sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">A pesquisadora Raquel Recuero comenta que as informações contidas nesse tipo de conteúdo são de caráter lúdico e/ou marginais, direcionando para causar riso, diversão. Concordo em parte. Minha interpretação é que não há um “caráter” da informação passada. Muitas das vezes nos deparamos com esse lado mais lúdico e satírico, pois conteúdos como estes são mais facilmente compreendido por um número maior de pessoas, logo mais ‘difundidos’, mas olhando pela cauda longa dos ‘lixos digitais’, começamos a observar conteúdos que fogem desse perfil, ou seja, que se utilizam da estética tosca, não profissional, para passar uma mensagem que não se enquadra no caráter traçado pela pesquisadora.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, as informações que estão inseridas no que chamamos de digital trash são beneficiadas pelos contrafluxos da rede, podendo atingir níveis de viralização e influenciar as mídias tradicionais, tornando-se mainstream até fora do grupo ao qual se destina. As pesquisas nesse campo ainda são poucas e as referências bibliográficas nacionais se resumem basicamente a dois pesquisados, Alex Primo e Raquel Recuero.</p>
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