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	<title>Re-vista! &#187; Luciana D&#8217;Aulizio</title>
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	<description>Porque cultura é coisa séria!</description>
	<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 01:56:03 +0000</pubDate>
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		<title>Indiana Jones e o reino da caveira de cristal</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 21:21:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana D'Aulizio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<category><![CDATA[aventura]]></category>

		<category><![CDATA[george lucas]]></category>

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		<category><![CDATA[indiana jones e o reino da caveira de cristal]]></category>

		<category><![CDATA[steven spielberg]]></category>

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		<description><![CDATA[Indy como nos velhos tempos
Quando cheguei ao cinema para assistir à volta de Indiana Jones, admito, estava com vários preconceitos na cachola, assim como alguns críticos ao meu lado, que não paravam de comentar cenas mirabolantes idealizadas por George Lucas em outras aventuras de Indy e na série “Star Wars”. Na ocasião, eu pensava como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/06/indy401.jpg"><img class="alignright alignnone size-full wp-image-136" style="float: right; margin: 10px;" src="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/06/indy401.jpg" alt="" width="267" height="389" /></a><strong>Indy como nos velhos tempos</strong></p>
<p>Quando cheguei ao cinema para assistir à volta de Indiana Jones, admito, estava com vários preconceitos na cachola, assim como alguns críticos ao meu lado, que não paravam de comentar cenas mirabolantes idealizadas por George Lucas em outras aventuras de Indy e na série “Star Wars”. Na ocasião, eu pensava como a criatividade de Hollywood deve estar em crise para trazer de volta à telona todos os personagens que fizeram história. “Super-homem, Rocky Balboa, Rambo&#8230; Daqui a pouco verei novamente Robocop, os policiais de ‘Loucademia de polícia’ ou Eddie Murphy na pele do tira Axel Foley”, cogitava, com um ar ranzinza.</p>
<p>Terminada a sessão, eu e os outros cinéfilos éramos outras pessoas: companheiros de Indiana Jones, com sorriso de orelha a orelha, que tinham participado de uma prazerosa expedição em busca da caveira de cristal. Esta descrição já sugere que gostei da continuação da série e a recomendo sim para todos que sentem a falta de histórias que realmente se enquadram na categoria “Aventura” nas prateleiras das locadoras. E gostei mais por mérito de Harrison Ford e Spielberg que de George Lucas (Perdoem-me, fãs de Luke Skywalker), diga-se de passagem.</p>
<p>“Indiana Jones e o reino da caveira de cristal” tinha tudo para ser mais um daqueles filmes em que, a cada solução nada trivial do herói para um dilema, o espectador resmunga “Tá bom, até parece!”. Célebre por suas histórias fantásticas, Lucas parece ter tomado algumas xícaras de chá de cogumelo antes de criar o retorno do arqueólogo, repleto de devaneios que, vez ou outra, deixam o espectador perdido. Que a narrativa seja mirabolante, tudo bem, mas que os fatos tenham pelo menos uma coerência interna, como acontece em “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (1984), por exemplo, é o que se espera.</p>
<p>A quarta aventura de Jones se passa em tempos de Guerra Fria, no final de década de 50, quando Indy escapa de uma armação de soviético em território norte-americano, liderada pela agente Irina Spalko (Cate Blanchett). O episódio faz com que o arqueólogo vire alvo de suspeita do FBI e perca seu emprego na Universidade Marshall. E a maré de complicações para o mocinho do filme não pára por aí. Ao deixar a cidade, Indiana encontra o jovem Mutt (Shia LaBeouf), filho-postiço de um colega, que pede ajuda em uma missão pra lá de surreal em territórios do Peru, relacionada a tal caveira de cristal. Durante a expedição, adivinhe quem competirá com eles pela relíquia? Irina, interessada em utilizar os poderes paranormais do objeto para controlar as mentes humanas.</p>
<p>Toda esta colcha de temas desconexos é feita pelo personagem de Cate Blanchett, uma espécie de rato Pink de saias e visual húngaro. Personagem mal construído e bizarro – no sentido original da palavra – que prejudica a performance da atriz em cena. Fica difícil de saber se quem “tenta dominar o mundo” é ela ou os soviéticos.</p>
<p><a href="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/06/indy402.jpg"><img class="alignleft alignnone size-full wp-image-137" style="float: left; margin: 10px;" src="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/06/indy402.jpg" alt="" width="278" height="388" /></a>Se em alguns momentos, George Lucas apela em sua aventura com pitadas de ficção científica, em outros sua parceria com o roteirista David Koepp é bem sucedida, principalmente pelo humor na medida certa. Ele, somado às eletrizantes cenas de perseguição, prende a atenção dos fãs de Indy. Mérito que também deve ser estendido ao Spielberg, que faz cenas de perseguição como só ele sabe fazer e dirige de forma exitosa Ray Winstone (como Mac), John Hurt (Professor Oxley), Jim Broadbent (Charles Stanforth) e Karen Allen, que volta a encarnar Marion Ravenwood, affair do protagonista em “Indiana Jones e os caçadores da arca perdida” (1981), o primeiro filme. Destaque também para os cenários, muito bem acabados como em todo filme do “pai” de “ET” e “Parque dos Dinossauros”.</p>
<p>O grande trunfo do filme é sem dúvida a performance Harrison Ford como o arqueólogo que dá nome ao filme. O ator está com rugas no rosto, alguns quilos extras e não tem o mesmo condicionamento físico dos outros três filmes, é verdade. No entanto, vê-lo em cena com a jaqueta de couro surrada, o famoso chicote e a música de John Williams de fundo, é como ver Sean Connery com James Bond, Zilka Salaberry como Dona Benta ou Stallone como Rocky. Há comunhão e química que ultrapassam as fronteiras da boa direção e do talento para dar vida a um personagem.</p>
<p>O retorno de Indy não chega a ser tão mágico quanto o retorno do homem de aço, nem tão emocionante quanto o do peso-pesado de Stallone, mas ainda assim muito divertido, por conta do carisma do ator, com um bom timing em cena. Seu carisma é tamanho que até compramos felizes a idéia de ele realmente é capaz de sobreviver a uma explosão atômica por estar protegido dentro de uma geladeira; saltar de carros em movimento com facilidade ímpar e outras façanhas que deixariam MacGyver, Ethan Hunt (o agente de missão impossível) e talvez até o próprio Clark Kent boquiabertos, afinal Indiana Jones é um veterano que não conta com super poderes. Só isso já seria um bom pretexto para pegar uma fila daquelas a fim de comprar ingresso para ver o filme. O sacrifício vale a apena, acredite.</p>
<p><em>Nota ao internauta: ao terminar esta resenha, tomei conhecimento de que meus pensamentos andam realmente em sintonia com os que regem indústria cinematográfica de Hollywood. Eddie Murphy vai realmente fazer o quarto filme da série “Um tira da pesada”. Será que o sargento Carey Mahoney é o próximo da lista?</em></p>
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		<title>Vida longa aos gardelianos</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 22:41:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana D'Aulizio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Música]]></category>

		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

		<category><![CDATA[carlos gardel]]></category>

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		<category><![CDATA[therezynha sylva]]></category>

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		<description><![CDATA[
Gardelito se foi há 73 anos, mas sua obra continua viva, encantando diversas gerações de tangueiros. Neste final de semana, todos os admiradores do francês que revolucionou a história da música argentina terão um banquete para os olhos e os ouvidos. Será apresentado no Teatro Dercy Gonçalves, no Grajaú Country Clube, o espetáculo &#8220;Carlos Gardel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/05/gardel03.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-118" src="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/05/gardel03.jpg" alt="" width="500" height="224" /></a></p>
<p><em>Gardelito</em> se foi há 73 anos, mas sua obra continua viva, encantando diversas gerações de tangueiros. Neste final de semana, todos os admiradores do francês que revolucionou a história da música argentina terão um banquete para os olhos e os ouvidos. Será apresentado no Teatro Dercy Gonçalves, no Grajaú Country Clube, o espetáculo &#8220;Carlos Gardel – a legenda do tango&#8221;, que faz um panorama da vida do intérprete e da história do ritmo através da música e da dança. A atração é dirigida pelo cantor de tangos e boleros Don Américo e conta com a participação da cantora Therezynha Sylva e dos dançarinos do Centro Cultural Conexão, escola tijucana de dança de salão.</p>
<p><em>Reconhecimento pelos hermanos</em></p>
<p>Esta não é a primeira vez que Américo leva ao palco músicas com letras passionais que se materializam em ganchos, caminhadas, giros e tantos outros movimentos, executados com precisão e delicadeza por homens e mulheres trajados com elegância ímpar. O hábito de cantar tangos começou como hobby do então empresário, que passou a colecionar críticas positivas por onde passava, inclusive na terra em que o ritmo ganhou fama. &#8220;Já fui oito vezes à Argentina, mas até hoje lembro com carinho de uma apresentação no &#8216;El rancho del Uchoa&#8217;. Tamanha foi a receptividade que os próprios hermanos me deram o apelido de Don (expressão que significa senhor em castelhano) Américo&#8221;, conta.</p>
<p>No Rio de Janeiro, o intérprete já esteve em cartaz, em 2006, com &#8220;Buenas noches&#8221;, que reunia tangos e boleros. A atração foi levada a alguns teatros e agremiações da cidade, sempre com boa resposta por parte do público, garante Américo. De acordo com ele, o ritmo argentino tem grande apelo, apesar de raramente figurar na programação cultural. &#8220;Encontramos vários espetáculos musicais, mas a maioria está focada em samba, rock e MPB. Se existir uma atração de tango a cada 20 é muito. Por isso, quando aparece alguma, as pessoas fazem questão de prestigiar&#8221;, diz.</p>
<p>Prova deste afã dos cariocas pelo tango foi dada quando &#8220;Buenas Noches&#8221; passou pela Sala Baden Powell, em 2006. Na ocasião, mesmo com divulgação inexpressiva e em pleno domingo de Páscoa, o espaço ficou lotado para assistir Don Américo e seus e dançarinos em cena. O &#8220;grand finale&#8221; da performance, conta o cantor, foi uma longa salva de aplausos. &#8220;Todos ficaram entusiasmados, como acontecem em outras apresentações. Geralmente, quem nos assiste nos aplaude por, pelo menos, três minutos&#8221;, conta.</p>
<p><em>Dueto com Gardel</em></p>
<p>Para estimular esta catarse, Dom Américo aposta em repertório composto de clássicos, entre eles: &#8220;Adiós Muchachos&#8221;, &#8220;Caminito&#8221;, &#8220;Mi Buenos Aires querido&#8221;, &#8220;Mano a mano&#8221;, &#8220;Melodia de arrabal&#8221;, &#8220;Garufa&#8221;, &#8220;Percal Uno&#8221; e até &#8220;Emociones&#8221;, uma versão do hino do rei Roberto Carlos. As músicas são interpretadas ora pelo cantor, ora por Therezynha Sylva, ora pelo próprio Carlos Gardel. Sim, sua presença é notada não apenas em pôsteres dispersos pelo palco, mas também em gravações antigas, como a de &#8220;El dia que me quieras&#8221;, utilizada como ponto de partida para um dueto com Américo. Neste momento do espetáculo, a voz do intérprete brasileiro resgata um dos principais elementos do tango: a emoção.</p>
<p>Outro ponto alto de &#8220;Carlos Gardel&#8221; são as performances dos dançarinos, idealizadas por Diogo Carvalho. Veterano de palco com a Companhia Nuevos Aires (que, em 2003, levou o &#8220;Entretangos&#8221; ao Teatro Municipal de Niterói), ele estréia como coreógrafo nos palcos com &#8220;pé-quente&#8221;. Entrou como substituto, e em seguida, assumiu o papel de Marcelo Martins (nome de referência do tango carioca), impossibilitado de continuar a temporada. Os olhares gulosos da platéia em direção ao palco e os aplausos durante a apresentação mostram que o rapaz leva jeito para coisa.  Entre os números, destaque para a plasticidade de &#8220;Tangueira&#8221;, inspirada nos cabarés argentinos, e para &#8220;Jalousie&#8221;. Em ambas, a iluminação dá um charme a mais e refina o acabamento das performances dos tangueiros em cena.</p>
<p><em>Diálogo com a contemporaneidade</em></p>
<p>Também chama atenção a maneira como &#8220;Carlos Gardel&#8221; dialoga com as tendências do presente, mostrando que a obra do tangueiro está longe de ser estanque. Ao contrário, serve de ponto de partida para criação de novas vertentes do ritmo, entre elas o tango eletrônico, também lembrado no espetáculo. &#8220;É como se fosse uma evolução. Antes, ele era tocado com um ou dois violões. Depois foram incorporados outros instrumentos como o bandoleon, violino, piano. Virou algo orquestral e, agora, dialoga com a música eletrônica. É a partir desta transformação que surgem novos talentos&#8221;, diz Don Américo.</p>
<p>Para Diogo Carvalho, a incorporação destes novos elementos ajuda a modificar &#8220;a cultura bem tradicional do tango, com dogmas e valores anacrônicos&#8221;. &#8220;Talvez isto colabore para que o ritmo seja divulgado e, conseqüentemente, atraia novos admiradores, não necessariamente jovens, até porque esta idéia de segmentar o público pela idade está obsoleta. Em um mundo de culturas híbridas e identidades multifacetadas, o tango só se perpetuará se conseguir dialogar com outras tendências musicais&#8221;, opina.</p>
<p>Segundo o coreógrafo, o ritmo tem sido afetado – ainda que em menor escala – pelo retorno badalado da dança de salão à noite carioca. No entanto, ressalta ele, o estilo ainda é visto como &#8220;uma arte mais chique&#8221; e nem sempre é vendido de forma mais atrativa para o público. &#8220;A maioria das escolas de dança de salão não tem foco para os serviços que oferecem. O que vemos são guetos tentando de alguma maneira não sucumbir diante a oferta monstruosa de lazer do mundo contemporâneo. Os mais jovens procuram a dança de salão despretensiosamente. A escolha pelo tango é questão de sorte&#8221;, afirma.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-119" src="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/05/gardel02.jpg" alt="" width="500" height="205" /></p>
<p>&#8220;CARLOS GARDEL – A LEGENDA DO TANGO&#8221; – Com Don Américo, Therezynha Sylva, Saleti Lima, Leonardo Alberini, Camille Chano, Diogo de Carvalho, Fabiana Torenzani e Henio Júnior . Teatro Dercy Gonçalves (Grajaú Country Clube – Rua Professor Valadares, 262 – Grajaú). Sábado (31/5), às 20h, e domingo (1/6),às 19h30. Ingressos a R$ 30.</p>
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		<title>Chega de saudade</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 03:55:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana D'Aulizio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<category><![CDATA[Chega de Saudade]]></category>

		<category><![CDATA[Laís Bondanzki]]></category>

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		<description><![CDATA[Um salão de baile que reúne veteranos de salão com ruguinhas à mostra, mas cheios de vida, como Alice (Tônia Carrero), Álvaro (Leonardo Villar), Eudes (Stephan Nercessian), Marici (Cássia Kiss), Elza (Betty Faria) e ainda os calouros Bel (Maria Flor) e Marquinhos (Paulo Vilhena). Este é o cenário em que se passa &#8220;Chega de Saudade&#8221;, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/05/chega-de-saudade.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-53" style="float: right; margin: 10px;" title="chega-de-saudade" src="http://re-vista.info/wp-content/uploads/2008/05/chega-de-saudade.jpg" alt="" width="260" height="365" /></a>Um salão de baile que reúne veteranos de salão com ruguinhas à mostra, mas cheios de vida, como Alice (Tônia Carrero), Álvaro (Leonardo Villar), Eudes (Stephan Nercessian), Marici (Cássia Kiss), Elza (Betty Faria) e ainda os calouros Bel (Maria Flor) e Marquinhos (Paulo Vilhena). Este é o cenário em que se passa &#8220;Chega de Saudade&#8221;, de Laís Bondanzki.</p>
<p>Ao contrário do que acontece em filmes como &#8220;Vem dançar comigo&#8221; , o objetivo da cineasta não é fazer uma história sobre dança e, sim, sobre a vitalidade na maturidade. Prova disso são os enquadramentos escolhidos por Walter Carvalho, que privilegia muito mais closes do que planos abertos, utilizados para mostrar coreografias. Em &#8220;Chega de Saudade&#8221;, a lente de cores vivas do fotógrafo circula pelo salão em busca de detalhes, entre eles sapatos de dança, pés como instrumentos de sedução ou acompanhando a melodia tocada, e até mesmo marcas de expressão.</p>
<p>A opção da cineasta por focar nos bailes de Terceira Idade pode despertar um gostinho de &#8220;falta alguma coisa&#8221; ou até mesmo estranhamento na nova geração de pés-de-valsa, interessada em coreografias com passos de efeito e acostumada a frequentar em ambientes bem diferentes, com um estilo mais &#8220;fashion&#8221;, seguranças na porta, e onde não são encontrados com tanta freqüência personagens, como o cavalheiro de aluguel.</p>
<p>No entanto, até mesmo os mais jovens se identificam em situações com as quais nos deparamos nos bailes de dança e da vida, principalmente as mulheres. A alegria de ser cortejada e virar centro de disputa tácita ou escancarada de dois corações apaixonados. O friozinho na barriga ao vislumbrar a possibilidade de um relacionamento depois de tempos de solidão. A decisão de chegar junto do cavalheiro almejado e confessar um amor evidente, mas secreto. A revolta por ser traída. O contentamento por dar troco à rejeição. A excitação motivada por olhares certeiros, toque calorosos e pela conquista. A tentativa de se insinuar para chamar a atenção do sexo oposto. A frustração de ficar de molho na cadeira por falta de convites. A tristeza de se arrumar para ser vista e nem ser notada. O gosto amargo de ver a pessoa de quem se gosta encantado por alguém mais atraente.</p>
<p>Sendo assim, a história de Bondanzki tem o mérito de explorar a figura feminina em um meio que, volta e meia, direciona os holofotes para os cavalheiros, seja por serem os responsáveis pela condução da dama, os concretizadores da conquista ou mesmo o grupo em menor quantidade no salão, que pode se dar ao luxo de escolher quem dançará e quem tomará &#8220;chá de cadeira&#8221;. Justamente por tratar com precisão estes dramas femininos, o filme deve ser referência obrigatória para os &#8220;fominhas de salão&#8221; que pensam que colocar-se no lugar da parceira é saber como executar os passos delas, sem atentar para os sentimentos reunidos no imaginário da dama. Um universo particular acessado a cada abraço que inaugura uma dança.</p>
<p>Todos estes fatores por si só já seriam razões para ver &#8220;Chega de Saudade&#8221;, mas não o principal mérito do longa-metragem. Sem dúvida, seu diferencial é apresentar a Terceira Idade de forma menos sisuda e mais verossímil. Uma geração que soma anos de vida e não vê a chegada dos cabelos brancos necessariamente como a proximidade de um fim eminente. Pessoas que se permitem viver amores e, mesmo na maturidade, ainda sentem o coração acelerado e ficam ansiosas a cada troca de olhares, como pré-adolescentes. Pessoas que se permitem ter relacionamentos abertos e romances tórridos de uma noite só, como os jovens de hoje. Pessoas que relembram e redescobrem a juventude no salão e, por isso, passam a freqüentá-lo religiosamente.</p>
<p>A temática é mais do quem bem-vinda levando-se em conta o aumento de praticamente 32,4% da expectativa de vida do País, desde 1960 a 2006, segundo dados do IBGE. O fato anuncia a necessidade de tornar mais freqüente e aberto o debate de assuntos relacionados a esta faixa etária, entre eles formas de viver a sexualidade com prazer e segurança na maturidade – discussão mais do que propícia, tendo em vista o crescimento do número de idosos com Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS.</p>
<p>Não é à toa que as salas que exibem o filme estão repletas de idosos, ansiosos por verem uma trama na qual têm destaque e não aparecem estereotipados como &#8220;os fofos&#8221; ou &#8220;os abandonados pela família&#8221;. Com um elenco de primeira, o filme apresenta personagens reais, nem sempre impecáceis moralmente. Dá voz ao conquistador que corteja uma garota mais jovem e comprometida, enquanto garante companhia para a noite com uma amiga de baile; ao homem que finge não ser casado para se aventurar com outras damas; à mulher que trai e à que faz jogo duro, sem esquecer de pontuar sutilmente problemas como o Alzheimer ou o medo da morte.</p>
<p>Que &#8220;Chega de Saudade&#8221; seja um ponto de partida para a valorização do rico universo da maturidade, tanto nas telas, nos bailes, como no dia-a-dia.</p>
<p><strong>Veja o trailer do filme:</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/hDU_NB2DvOs&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://www.youtube.com/v/hDU_NB2DvOs&amp;hl=en" wmode="transparent"></embed></object></p>
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